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CÚPULA DO BRICS

Como funciona o Brics e o impacto da guerra do Irã no grupo

Cúpula na Índia busca consenso entre países membros em meio a conflitos no Oriente Médio e tensões globais

Redação MNMundo3 min de leitura
Como funciona o Brics e o impacto da guerra do Irã no grupo
Foto: Ministério da Notícia

O Brics funciona como um bloco geopolítico e econômico formado por países emergentes para ampliar sua influência global e discutir interesses comuns. O grupo reúne nações com diferentes tamanhos de economia e posições políticas, operando sempre com base no consenso entre seus integrantes. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco ganhou novos membros recentemente. A expansão buscou representar de forma mais ampla o chamado Sul Global, incluindo nações de outras regiões importantes. A participação no grupo ocorre por meio de cúpulas de líderes e reuniões ministeriais periódicas para debater comércio, infraestrutura e cooperação internacional.

A cúpula dos líderes do Brics ocorre em Nova Delhi, na Índia, reunindo chefes de Estado e representantes de alto escalão de todos os países membros. O principal desafio do encontro é superar divergências profundas decorrentes da guerra liderada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. O conflito colocou em lados opostos o Irã e os Emirados Árabes Unidos, ambos membros do bloco. Os confrontos armados e o fechamento virtual do Estreito de Ormuz geraram impactos severos na economia global, elevando o preço do petróleo bruto para patamares superiores a cem dólares o barril.

Os desafios da diplomacia e da economia global

A busca por um acordo diplomático enfrenta barreiras significativas devido às transações comerciais suspensas entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã. Especialistas apontam que a principal dificuldade é encontrar uma linguagem sobre a crise no Oriente Médio que seja aceitável para Abu Dhabi e Teerã. Reuniões anteriores de ministros das Relações Exteriores do bloco já haviam terminado sem a emissão de declarações conjuntas por causa dessas mesmas divergências internas. No entanto, precedentes recentes em outros fóruns internacionais demonstram ser possível alcançar termos comuns de condenação a conflitos e sanções ocidentais.

A reunião na Índia também serve como palco para discussões sobre políticas tarifárias unilaterais e o protecionismo de potências globais. Questões econômicas como a possível adesão do Irã ao Banco de Desenvolvimento do Brics e parcerias em infraestrutura cultural estão no radar das negociações. O encontro conta com a presença de líderes importantes, incluindo o presidente chinês Xi Jinping em sua primeira visita à Índia em sete anos. Participam ainda o presidente russo Vladimir Putin, o líder iraniano Masoud Pezeshkian e o secretário-geral da ONU António Guterres.

Para quem acompanha o cenário internacional, a importância do evento reside na capacidade de o bloco demonstrar coesão frente a políticas econômicas debilitantes. A união de países emergentes pode influenciar negociações comerciais e o fluxo de investimentos internacionais, afetando indiretamente os mercados globais de energia. Embora decisões do bloco não alterem leis nacionais de forma direta, elas sinalizam tendências geopolíticas que repercutem na economia e no custo de produtos básicos como os combustíveis.

Os desdobramentos da cúpula dependem da habilidade dos diplomatas em costurar um texto final que agrade a todas as partes envolvidas. Resta definir se os líderes conseguirão superar o impacto negativo das tensões regionais para assinar uma declaração conjunta antes do encerramento do evento. As negociações continuam nos bastidores da capital indiana, enquanto o mundo observa os reflexos da crise do petróleo e das sanções ocidentais sobre os países emergentes.

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