Cidades do norte da França decretam toque de recolher após noite de protestos violentos
Lille e outras três cidades do noroeste francês anunciaram toque de recolher nesta segunda e na terça, depois de o governo autorizar prefeitos a adotar a medida. O ministro do Interior tentou apresentar renúncia, mas o presidente pediu que ele continue.

Autoridades de Lille, Douai, Wattignies e Denais, no noroeste da França, anunciaram toque de recolher para a noite desta segunda-feira (19) e para a de terça-feira (20). A medida tenta evitar novos confrontos entre manifestantes e policiais, depois de um fim de semana descrito como um dos mais violentos da história recente do país.
Governo autoriza prefeitos
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, afirmou em entrevista coletiva que os prefeitos das cidades mais atingidas passaram a ter o poder de impor toques de recolher parciais quando julgarem necessário. Ele não especificou quais cidades receberam a autorização e disse que a medida é "mais apropriada" do que decretar estado de emergência em todo o país, opção que, segundo ele, não está totalmente descartada.
O governo fez uma reunião de emergência nesta segunda. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, tentou apresentar a renúncia, segundo o Palácio do Eliseu, mas o presidente Emmanuel Macron pediu que ele avalie medidas para reforçar a segurança nas ruas e garanta que os responsáveis pela violência sejam levados à Justiça. O ministro é criticado por adversários políticos e por sindicatos, que o acusam de não ter preparado adequadamente o efetivo policial para os atos de sábado.
O saldo do fim de semana
Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades. Os atos deixaram um morto e quase 2.400 detidos, e há registro de saques a cerca de 1,5 mil lojas e de prédios incendiados, entre eles a prefeitura histórica de Limoges. Lecornu atribuiu a violência a "grupos radicais de extrema esquerda", e cerca de 80% dos presos por tumultos enfrentam acusações criminais, de acordo com o premiê.
O governo também anunciou que os danos a propriedades serão pagos pelos responsáveis, por meio de uma lei a ser elaborada, e que será criado um fundo de desemprego parcial para quem não pode trabalhar por causa de negócios paralisados.
Origem dos protestos
A onda de manifestações começou em setembro em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres ao norte de Paris, em reação à falta de professores e às instalações precárias, e se ampliou para um movimento nacional contra o custo de vida, a desigualdade e a queda na qualidade dos serviços públicos. Nesta segunda, manifestantes também bloquearam o acesso ao Museu do Louvre, que amanheceu fechado, para denunciar a repressão policial.
A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, quer abrir um inquérito para apurar o que ocorreu no fim de semana.
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