Ataque dos hutis a campo de treinamento no Iêmen deixa ao menos 53 mortos e 200 feridos
Três mísseis balísticos atingiram um campo de recrutas das forças de segurança na província de Shabwa. O governo iemenita pede que a ONU classifique os hutis como organização terrorista.

Pelo menos 53 pessoas morreram e outras 200 ficaram feridas em um ataque com mísseis balísticos contra um campo de treinamento das forças de segurança do governo do Iêmen. O bombardeio foi realizado pelos rebeldes hutis e é o que mais fez vítimas em um único incidente desde a retomada da guerra civil no país, em setembro.
O ataque
O alvo foi o campo de treinamento de al-Alam, na província de Shabwa, no sul do país. O local foi atingido por três mísseis balísticos enquanto os recrutas estavam alinhados em formação. Os feridos foram levados a um hospital em Ataq, capital da província.
Segundo o presidente do governo iemenita, Rashad al-Alimi, os mortos eram novos combatentes. Ele prometeu uma resposta imediata e enérgica e telefonou ao secretário-geral da ONU, António Guterres, para pedir que a organização classifique os hutis como organização terrorista estrangeira. O governo descreveu o episódio como um "desastre" e decidiu abrir investigação para apurar como tantas tropas ficaram expostas ao bombardeio.
O governador de Shabwa, Awad bin al-Wazir, afirmou que atacar recrutas "constitui uma escalada militar" e pediu reforço na defesa aérea. Um porta-voz do governo disse que o local não era um alvo militar ligado aos combates em curso, mas um centro onde novos recrutas das forças de segurança internas da província recebem treinamento.
Versão dos hutis
O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que as forças hutis atacaram "mobilizações do inimigo saudita" no campo, administrado, segundo ele, por oficiais sauditas. Saree confirmou as dezenas de mortos e feridos e disse que oficiais sauditas foram mortos. A afirmação não foi confirmada por fonte independente.
Contexto
A Arábia Saudita retomou as operações militares no Iêmen para apoiar as forças governamentais diante do avanço dos hutis, que conquistaram posições estratégicas na costa do Mar Vermelho no mês passado. O governo iemenita lançou uma contraofensiva para recuperar territórios, inclusive perto do estreito de Bab el-Mandeb, passagem importante para o transporte internacional de petróleo.
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