Apuração final em Israel confirma que nem Netanyahu nem a oposição têm maioria para formar governo
A Comissão Central de Eleições divulgou a contagem final: o bloco de direita de Netanyahu tem 53 das 120 cadeiras do Knesset, abaixo das 61 necessárias. O presidente Isaac Herzog decidirá quem tentará formar o governo.

A contagem final dos votos nas eleições de Israel, divulgada pela Comissão Central de Eleições na noite desta quinta-feira (29), confirmou que nem a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem a principal aliança de oposição conquistaram os 61 votos necessários para formar um governo no Knesset, o Parlamento israelense, de 120 cadeiras.
Como ficou a divisão das cadeiras
O bloco de direita e ultraortodoxos de Netanyahu, que inclui o Likud, obteve 53 cadeiras. Na eleição anterior, em 2022, o grupo havia chegado a 64. O bloco de oposição, liderado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, ficou com 48 cadeiras. Dois partidos árabes, Raam e Lista Unificada, somaram 19 assentos, o maior número já alcançado por eles.
O Likud foi o partido mais votado, com 1.167.458 votos válidos (20,52%). Em seguida vieram o Yashar, de Eisenkot, com 913.502 votos (16,05%), e o Juntos, do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, com 531.414 votos (9,34%). Onze listas superaram a cláusula de barreira de 3,25% e terão representantes no Parlamento. O comparecimento foi de 77,9%, o mais alto desde 1999, com 5.690.778 votos válidos.
Próximos passos
Os resultados ainda podem sofrer pequenos ajustes e serão entregues ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro, quando a distribuição final das cadeiras será oficializada. Os partidos terão até 18 de novembro para apresentar reclamações ou contestações jurídicas.
Herzog fará uma rodada de consultas com os líderes partidários e convidará quem, na avaliação dele, tiver mais chances de reunir maioria. O primeiro indicado tem 28 dias para negociar, com possibilidade de prorrogação de 14 dias. Se fracassar, o presidente pode passar a tarefa a um segundo nome, e depois a um terceiro. Se nenhum conseguir, novas eleições são convocadas. Herzog afirmou na quarta-feira (28) que tudo deve ser feito para evitar um novo pleito.
Segundo Assaf Shapira, do Instituto de Democracia de Israel, grupo de pesquisa apartidário com sede em Jerusalém, é provável que Herzog ofereça a Eisenkot a primeira chance de formar governo, pois o líder com mais recomendações dos demais costuma ter prioridade. Historicamente, a formação de um governo em Israel leva de 20 a 100 dias, de acordo com o instituto.
Cenários em aberto
A eleição foi a primeira desde o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, e foi vista como um referendo sobre Netanyahu, o primeiro-ministro que mais tempo ocupou o cargo na história do país. O bloco de Eisenkot enfrenta agora uma escolha: buscar uma aliança com os partidos árabes para tentar derrubar Netanyahu ou compor um eventual governo de unidade com ele.
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