Anvisa aprova remédio inédito para tratar esquistossomose em crianças
Novo medicamento da Fiocruz ataca parasitas em pacientes de três meses a seis anos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro do medicamento Farmanguinhos Arpraziquantel para o tratamento da esquistossomose em crianças de três meses a seis anos. A resolução que libera o fármaco foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira. O produto é voltado para combater a infecção provocada pelos parasitas Schistosoma mansoni ou Schistosoma haematobium na faixa etária infantil. A produção do remédio é liderada pela Fundação Oswaldo Cruz para atender a demanda de saúde pública no país.
O princípio ativo do medicamento age diretamente na corrente sanguínea do paciente ao ser ingerido por via oral. A substância é absorvida pelos vermes alojados nos vasos e provoca espasmos musculares seguidos de paralisia nos parasitas. Esse processo impede que o organismo causador da doença mantenha a fixação nos vasos sanguíneos. Em seguida, a fórmula danifica o tegumento, que funciona como uma capa protetora do verme contra o sistema de defesa humano. Com a barreira rompida, o próprio corpo consegue destruir os parasitas e eliminar a infecção.
A enfermidade é classificada como uma condição tropical negligenciada que atinge predominantemente comunidades de baixa renda em várias regiões do planeta. O problema sanitário afeta áreas tropicais e subtropicais na África, na Ásia, no Caribe e na América do Sul. A infecção ocorre quando o indivíduo entra em contato com água doce contaminada por caramujos que abrigam os vermes transmissores. A manifestação clínica divide-se entre a fase aguda, que surge de duas a seis semanas após a exposição, e a fase crônica, cujos sintomas aparecem meses ou anos depois.
Cenário da doença no território nacional
No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de um milhão e meio de pessoas residem em áreas consideradas sob risco de contrair a enfermidade. A presença da condição está diretamente associada à proliferação dos moluscos transmissores nas regiões Nordeste e Sudeste. Dezenove estados brasileiros registram ocorrências da doença em diferentes intensidades de transmissão. Estados como Alagoas, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo possuem áreas com transmissão considerada endêmica. Outras unidades federativas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e o Distrito Federal, registram apenas focos isolados da infecção.
Especialistas apontam que a doença pode evoluir desde formas totalmente assintomáticas até quadros clínicos de extrema gravidade para o paciente. O surgimento dos primeiros sinais no corpo humano costuma coincidir com o período de incubação após o contato com a água doce. A nova opção terapêutica chega para preencher uma lacuna no cuidado médico voltado especificamente para o público infantil. A liberação do registro pela autarquia federal representa um avanço regulatório no combate aos parasitas. As autoridades sanitárias seguem monitorando a distribuição do produto para os próximos ciclos de atendimento na rede pública.
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